terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Aramides Brief - Sink 400 - Subject: KTS001


Sink 400


Continuo revirando aqueles arquivos antigos. Até agora sem grandes indícios concretos da participação direta de Kitsu no grande movimento do seculo passado. Foram 4 meses na fila para utilizar o interceptador eletromagnético¹ da Universidade. E temo que tenha sido pra nada; aquilo que achamos era uma antiga conversa. Como é a mais antiga de todas as fontes, parametrizei a entrada como 1/47:

 "- Kitsu! Seu pai!

 - Meu pai? Sem chance! O velho é comprado.

 - Ele é perfeito. Tem acesso, influência e não está na linha de frente. Abre o jogo pra ele!

 - Esquece. Mais fácil ele mesmo me mandar pro exílio nos campos da Africa. Ia me tirar de vista antes que.... espera.

 - O que foi?

 - Podemos grampeá-lo. Ele colocou um novo implante ocular. O Trix ainda ta aí? Tá mexendo com aqueles bagulhos?
- Ele ta aqui, acho que sim...mas...
- Ele pode grampear um olho Pfizer E7? E vamos vincular com um chip neural.

 - Perai cara! Você vai... nos vamos... é seu pai. Ele pode ter sérios problemas. Fora o risco de algo sair errado e ele morrer, ou sei lá.

 - E daí? Se vamos fazer, vamos até o fim! Já teve gente que pagou com a vida. A minha relação com meu pai é um preço baixo a pagar. Foda-se. E vai ser amanhã. Eu cuido do velho, relaxa. Traz o Trix aqui as 2 da manhã. Vamos ter um marionete dentro do senado!!"

 (¹) De ligações telefônicas via rádio a comunicação por satélite, quase todas as comunicações do século XX e XXI emitiam ondas eletromagnéticas com um protocolo inteligível. E, no espaço, a atenuação destas ondas é quase nula - ela se propagam infinitamente. E se fosse possível ir até o local onde uma determinada onda, uma informação protocolada, se propaga neste momento? Uma onda eletromagnetica proveniente de uma ligação, por exemplo, feita ha anos atrás? Poderíamos interceptá-la como aqueles o fizeram ha tempos! O (pequeno) inconveniente é que a onda eletromagnetica se propaga no vácuo na velocidade da luz e, então, teríamos que ultrapassa-la. Impossível até nos dias de hoje. Mas a descoberta do interceptador magnético nos livrou desse inconveniente: As ondas emitidas interferem na propagação da luz de espectro visível, de modo que cada onda eletromagnetica deixa uma "impressão digital" a cada "esbarrão" em um feixe de luz. E como o que não falta no espaço são estrelas emitindo luz, aprendemos a usar filtros e triangulações que nos permitem "ler nas estrelas" as emissões eletromagneticas do passado, por meio de luzes que vem em caminho contrário, em nossa direção, na mesma velocidade da luz, viabilizando a leitura da informação, quase límpida. A tecnologia é restrita, mas estima-se que existam cerca de uma dezena de aparelhos destes no planeta. Como a terra vive sem grandes conflitos desde a grande revolução, a maioria dos aparelhos, acredita-se, tem função apenas para investigações históricas.

----------

Nenhum comentário:

Postar um comentário